Há mais de vinte anos carrego uma pergunta sobre sentido.

Não como questão filosófica abstrata. Como experiência vivida. A sensação de que há algo que quer se realizar, e que a vida, da forma como está organizada, não está respondendo a isso.

Ao longo do tempo, percebi que essa não é uma pergunta solitária. Ela aparece de duas formas nas pessoas que encontro: ou não alcançam o que buscam realizar, ou alcançam e descobrem que não era isso.

Em ambos os casos, o mesmo vazio. A vida não está respondendo ao que realmente importa.

Sobre

O que me formou

Passei mais de quinze anos na Natura, uma das empresas brasileiras que mais levou a sério a dimensão humana do trabalho. Nesse tempo, percorri planejamento, vendas, estratégia e transformação organizacional. Aprendi como grandes sistemas funcionam, o que move pessoas e times, e o que os paralisa.

Mas uma das experiências que mais me transformou aconteceu fora do mundo corporativo.

Foi em minha formação em hipnose ericksoniana. A maneira como meu professor falava e como fazia as intervenções me marcaram. O que ele dizia, e como dizia, abria espaço para a pessoa transformar sua experiência do passado. Ali compreendi algo que não voltei a questionar: a linguagem não é apenas comunicação. É o campo onde a experiência humana se organiza e se reorganiza.

Olhando para trás consigo ver a combinação disso com a experiência que tive quando entrei em contato com a abordagem orientada à solução e com a pergunta milagre, em minha formação em constelações sistêmicas. A ideia de que o futuro desejado pode ser o ponto de partida, e não o passado a ser resolvido, confirmou algo que já estava se formando em mim.

E foi no encontro com a ontologia da linguagem que essa compreensão reuniu tudo que havia aprendido até ali e deu a ele uma estrutura: a linguagem não descreve a realidade. Ela a constrói.

Não abandonei um mundo para entrar em outro. Integrei os dois. E foi dessa integração que nasceu o Despertar da Autoria.

O momento em que o método começou

Eu estava num treinamento sobre alta performance e criação de futuro quando, ao aplicar o princípio de declaração, criei uma imagem vívida, na qual eu compartilhava os princípios com muitas pessoas. Não foi uma intenção. Foi uma visão. E com ela soube que ação precisava realizar.

Pouco tempo depois, numa conversa com uma amiga que era diretora da empresa onde eu trabalhava, compartilhei que estava criando um programa sobre linguagem, alta performance e criação de futuro. Ela respondeu imediatamente: faz o piloto com meu time. Ali nasceu a primeira turma. E com ela, o início do que se tornaria o Despertar da Autoria.

Há dez anos venho organizando o que compreendi para oferecer às pessoas. O Despertar da Autoria é o nome que esse trabalho encontrou.

Como eu vivo o que ensino

Não sou alguém que chegou a um lugar de equilíbrio permanente. Sou alguém que está aprendendo a prestar atenção.

Quando sou tomado por uma emoção negativa ou quando o passado me captura, procuro observar as histórias que estou contando para mim mesmo. Pergunto se são deslocamentos ou se há de fato algo pendente que precisa ser completado.

E em cada conversa, em cada encontro, procuro escutar as pessoas com a lente da hermenêutica da beleza. Não procurando o que está errado ou o que precisa ser desmascarado. Procurando o que está tentando nascer.

É essa escuta que está na base do Despertar da Autoria.